Piso da enfermagem: se não tiverem novos recursos, hospitais filantrópicos podem fechar

Criciúma (SC)

Com votação prevista para o mês de abril, após aprovação de regime de urgência, o Projeto de Lei 2564/20, também conhecido como Piso da Enfermagem, é motivo de preocupação para os gestores dos hospitais filantrópicos e santas casas. As instituições não são contrárias ao aumento salarial, porém, necessitam de novos recursos para que possam cobrir o acréscimo nas folhas de pagamento. Sem este novo aporte, alguns hospitais correm o risco de ter que fechar as portas, enquanto outros precisarão reduzir os serviços oferecidos à população através do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, representantes dos hospitais receberam a imprensa, em encontro organizado pela Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina (FEHOSC), na sede da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), na tarde dessa segunda-feira (18), para alertar a população sobre a necessidade de novas fontes para cobrir a elevação dos custos mensais.

O impacto financeiro é superior a 50%, como explica o diretor administrativo do Hospital Santa Otília, de Orleans, e membro da Associação dos Hospitais de Santa Catarina (Ahesc), Edvan Della Giustina. “Tivemos representantes de vários hospitais de Santa Catarina para chamar a atenção para a tramitação do projeto de lei que vai provocar um impacto muito grande no Brasil inteiro”, destaca, lembrando que o piso dos enfermeiros será de R$ 4.750,00 e dos técnicos em enfermagem de R$ 3.325,00, caso o projeto seja aprovado. “Especificamente em Orleans, teremos um aumento de 62% na folha de pagamento. Vários hospitais não conseguirão pagar uma folha desse montante por mais de um ou dois meses. Não somos contra, valorizamos os profissionais de enfermagem, mas nos preocupamos com o financiamento, para que seja aprovado e que tenhamos como pagar”, salienta.

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A situação relatada por Della Giustina, no entanto, não se limita a Orleans. “Estamos com 250 colaboradores e teremos um impacto mínimo de R$ 150 mil por mês”, considera o diretor administrativo do Hospital São Donato, de Içara, Júlio César de Lucca.

No Hospital São José, de Criciúma, que tem mais de 1,6 mil colaboradores, a possibilidade de aumento também preocupa. “Um grande número desse total são enfermeiros e técnicos em enfermagem. Apoiamos que eles ganhem mais, mas precisamos de um valor a mais para cobrir esse déficit e também outro para cobrir o que já tínhamos, por estarmos há 20 anos sem reajuste na Tabela SUS”, avalia a diretora financeira da instituição, Irmã Terezinha Buss. “Nossa folha bruta é em torno de R$ 8 milhões e pode chegar a R$ 10 milhões mensais se tivermos que atender o novo piso. Não temos condições de atender se não recebermos novos recursos”, garante.

Além de Della Giustina, De Lucca e Irmã Terezinha, a reunião contou com a participação da membro da FEHOSC, Suzana Peruchi, e diretores de hospitais filantrópicos da Região Carbonífera, Extremo Sul e Região de Laguna.

Movimento Chega de Silêncio

Para chamar a atenção para a questão, a Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos do Brasil (CMB) realiza a campanha “Chega de Silêncio! Gestores e Profissionais de saúde rompem o silêncio para expor a crise da maior rede hospitalar do SUS”. O movimento solicita a alocação de novas verbas para garantir a continuidade dos atendimentos nesses estabelecimentos de saúde. “Para que não ocorra a desassistência da população, as Santas Casas e hospitais filantrópicos requerem a alocação de recursos na ordem de R$ 17,2 bilhões, anualmente, em caráter de urgência urgentíssima, como única alternativa de assunção das obrigações trabalhistas decorrentes do projeto de lei 2564/20, assim como para a imprescindível adequação ao equilíbrio econômico e financeiro no relacionamento com o SUS”, destaca a entidade.

 


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