Criciúma (SC)
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 78,9% das famílias brasileiras encerraram 2025 com algum tipo de dívida — o maior patamar da série histórica para o mês de dezembro, com crescimento de 2,3 pontos percentuais em relação a 2024. A inadimplência também avançou: 29,4% das famílias estavam com contas em atraso no fim do ano. O cartão de crédito segue como o principal tipo de dívida, presente em mais de 80% dos casos, seguido por carnês e crédito pessoal.
Para a supervisora de negócios da Ailos cooperativa Acentra, Milena de Aguiar, o crédito tem sido utilizado como complemento de renda, o que contribui para o desequilíbrio financeiro. “Hoje, muitas famílias estão usando o crédito para compor o próprio orçamento, e não apenas para antecipar sonhos. Esse movimento está relacionado à alta dos juros, ao custo de vida mais elevado e ao uso frequente do cartão de crédito”, explica.
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Entre os comportamentos que contribuem para o aumento das dívidas estão a falta de controle dos gastos, o uso recorrente do parcelamento sem avaliação do valor total e a dificuldade em diferenciar necessidades de desejos. “É importante avaliar se a compra é realmente necessária naquele momento. Quando o orçamento está apertado, adiar decisões pode ajudar a manter o equilíbrio financeiro”, orienta a especialista.
Sobre o cartão de crédito, a recomendação é evitar o pagamento mínimo da fatura. “O cartão deve ser utilizado como meio de pagamento, e não como uma extensão da renda. Sempre que possível, o ideal é quitar o valor total da fatura”, destaca Milena.
Para quem já está endividado, o primeiro passo é listar todas as dívidas, incluindo valores, prazos e taxas de juros, para visualizar a situação e definir prioridades. Dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, tendem a exigir atenção imediata, assim como despesas essenciais. A renegociação pode ser considerada desde que as condições estejam adequadas ao orçamento. Hábitos como registrar despesas, evitar parcelamentos longos e formar uma reserva de emergência também contribuem para uma gestão financeira mais equilibrada ao longo do tempo.
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