Sem acordo sobre piso salarial, professores da Afasc entram em greve

Criciúma (SC)

Os professores da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) iniciaram uma greve nesta terça-feira (12), paralisando os Centros de Educação Infantil (CEIs) mantidos pela entidade, que atendem cerca de 6 mil crianças. A mobilização teve início no CEI Afasc Professor Lapagesse. A principal reivindicação da categoria é o pagamento do piso nacional do magistério, fixado em R$ 5.130,64 para jornada de 40 horas semanais. O valor, segundo o sindicato da categoria, está longe do que os professores recebem atualmente, cerca de R$ 3,1 mil.

Conforme as informações do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (Steersesc), cerca de 350 professores aderiram à paralisação após semanas de negociação com a Afasc. O presidente do sindicato, José Argente Filho, afirma que o movimento teve adesão expressiva logo no primeiro dia. “O movimento está muito bom, muito forte, declarou, informando que a greve só será encerrada mediante uma proposta da instituição em direção ao piso. “A única porta que deixaram aberta para os professores foi a greve. A gente poderia pensar até num parcelamento, mas eles não aceitaram”, explicou.

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O dirigente também lembrou que a Afasc chegou a solicitar uma liminar judicial para suspender o movimento, mas o pedido não foi concedido. Mesmo assim, sinalizou que a instituição poderia tentar reformar a decisão. Para Argente Filho, independentemente do desfecho, o episódio marca a história da entidade. “A partir de hoje, a Afasc ficará muito diferente. Eles nunca deveriam ter deixado chegar a esse momento. A Afasc nunca será mais a mesma a partir desse movimento”, afirmou.

A nota da Afasc

Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (12), a Afasc se posicionou sobre o impasse. Leia a íntegra:

“Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (AFASC) esclarece que o impasse com o sindicato que representa seus profissionais tem como ponto central uma reivindicação de aumento salarial superior a 60%, situação sem paralelo nas demais categorias profissionais privadas.

A AFASC respeita seus profissionais e reconhece a importância da valorização dos educadores. Tanto que, em 2025, concedeu ganho real de 3% acima da inflação e, para 2026, apresentou proposta novamente com ganho real, avanços inéditos na história da entidade.

Apesar disso, o sindicato insiste em uma exigência incompatível com a realidade jurídica, financeira e contratual da AFASC. Assumir uma obrigação dessa dimensão significaria colocar em risco a sustentabilidade da instituição e a continuidade do atendimento a quase 6 mil crianças e famílias de Criciúma.

A AFASC seguirá adotando todas as medidas cabíveis para preservar os avanços já construídos, proteger sua sustentabilidade e garantir, dentro dos limites possíveis, a continuidade do atendimento às crianças.”

Prefeito notifica a Afasc e faz defesa das famílias

O prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, se manifestou publicamente sobre a greve e anunciou que determinou a notificação formal da Afasc para que os serviços sejam restabelecidos em até 24 horas. Em tom firme, o chefe do Executivo municipal se colocou ao lado dos pais e responsáveis prejudicados pela paralisação. “Nós ficamos muito preocupados. Estamos do lado dos pais que hoje não tiveram onde deixar seus filhos, de mães que tiveram que voltar para casa e ligar para a empresa dizendo que não iam trabalhar, de crianças que talvez teriam como primeira refeição aquela lá na Afasc”, declarou.

O prefeito também questionou a reivindicação de reajuste de 60% apresentada pelo sindicato, comparando-a com a realidade dos trabalhadores da iniciativa privada, e lembrou que a Afasc concedeu 3% de ganho real acima da inflação em 2025, oq eu resultou em reajuste total em torno de 7%. “Quem de vocês, na empresa que trabalham, tem um aumento desse?”, questionou. Espíndola ainda citou como exemplo a negociação recém-concluída com os servidores públicos municipais, que garantiu, pela primeira vez, o pagamento do piso do magistério aos professores concursados da rede municipal. “Isso se deu com diálogo, com divergências, mas dentro do campo da responsabilidade”, afirmou.

Por fim, o prefeito deixou um recado direto: caso a Afasc não resolva o impasse com o sindicato, a Prefeitura de Criciúma está disposta a rescindir o contrato com a instituição e contratar outras entidades para garantir o funcionamento das creches. “As crianças na cidade de Criciúma não vão ficar sem o serviço de creche”, garantiu.

Texto: Carlos Filipe/Portal Mais Sul.
Foto: Arquivo.

 


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