Projeto quer transformar plástico descartável em blocos de construção no Sul Catarinense

Criciúma (SC)

A diretoria da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) recebeu, nesta semana, a apresentação do Projeto Defesa Circular, iniciativa que propõe ampliar a reciclagem de plásticos de uso único e fortalecer a economia circular no Sul de Santa Catarina. A proposta, liderada pelo município de Orleans, reúne o Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), a Unesc, o consórcio intermunicipal Cirsures e entidades ligadas à cadeia produtiva e à reciclagem.

O projeto prevê a implantação de uma área piloto em Orleans com coleta inteligente, rastreamento de resíduos por tecnologia RFID, participação de cooperativas de catadores, triagem, reciclagem e transformação de rejeitos em novos produtos, como blocos de construção, bancos e estruturas urbanas.

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A vice-presidente da Acic, Grasiela Moretto, presidiu a reunião e destacou a importância da iniciativa para o setor. “O setor vem passando por um momento extremamente desafiador, com debates e movimentações legislativas que impactam diretamente toda a cadeia produtiva. Esse projeto surge como uma iniciativa importante, que une sustentabilidade, inovação e responsabilidade, e que pode representar um divisor de águas para o segmento”, afirma.

O prefeito de Orleans, Fernando Cruzetta, explica que a proposta começou a ser desenvolvida em 2022, a partir das discussões sobre restrições aos plásticos de uso único no Congresso Nacional. “Esse projeto é uma oportunidade de mostrarmos que o plástico não é lixo, mas matéria-prima. A proposta integra conscientização, tecnologia, reciclagem e transformação, envolvendo toda a cadeia, desde a separação correta até o reaproveitamento dos materiais”, diz.

Cruzetta ressalta que a iniciativa busca integrar soluções já existentes num modelo estruturado e validado cientificamente, reunindo setor produtivo, universidade, cooperativas de catadores, entidades representativas e poder público. Orleans foi escolhida para sediar o projeto por contar com estrutura consorciada de gestão de resíduos e pela presença de empresas do setor plástico.

O presidente do Sinplasc, Reginaldo Cechinel, destaca o caráter inovador da proposta. “Estamos falando de um projeto que reúne estratégias já validadas pela cadeia produtiva da reciclagem e que tem potencial para se tornar referência nacional em economia circular”, pontua.

O Sul catarinense é um dos principais polos nacionais da indústria de transformação e reciclagem de plásticos. O segmento concentra cerca de 240 indústrias, gera mais de 12 mil empregos diretos, 48 mil indiretos e movimenta R$ 6,3 bilhões por ano.

O projeto foi aprovado no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio da Lei de Incentivo à Reciclagem, e já está habilitado a captar recursos. Empresas interessadas em apoiar a iniciativa podem destinar parte do Imposto de Renda devido: pessoas jurídicas podem direcionar até 1% e pessoas físicas, até 6%.

No dia 26 de junho ocorre a “Mobilização Transição Justa dos Plásticos para a Economia Circular”, em São Ludgero, com audiência pública do Senado Federal sobre o tema.

 


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