Missão técnica à Itália fortalece cooperação internacional para a Transição Justa no Sul

Bérgamo (Itália)

A Missão Técnica de Santa Catarina à Itália, realizada nesta semana (8 a 12 de junho), consolidou novos caminhos de cooperação internacional para a construção da Transição Justa no Polo Carbonífero do Sul do Estado. Promovida pela Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS) e pelo Sindicato da Indústria de Extração de Carvão de Santa Catarina (Siecesc/Carvão+), com concepção e organização da FGV Europe, a agenda reuniu lideranças públicas, empresariais, industriais e educacionais em visitas técnicas a referências europeias em inovação, sustentabilidade e reconversão produtiva.

A delegação passou por Bergamo e pela Província Autônoma de Trento, na Itália, regiões reconhecidas pela atuação em economia verde, tecnologias limpas, digitalização, mineração sustentável, economia circular e políticas de transição energética. A missão contou com representantes da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC), ABCS, Siecesc/Carvão+, Associação Empresarial de Criciúma (ACIC) e SENAI, fortalecendo a integração entre poder público, indústria, instituições de ensino e ecossistemas internacionais de inovação.

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Entre as instituições visitadas estiveram o Kilometro Rosso Innovation District, Montello Spa, Alps Blockchain, Trentino Sviluppo, Green Energy Storage, Habitech, Spreentech Accelerator, Fondazione Bruno Kessler (FBK) e o Ecossistema Minerário TERA, em Tassullo. A programação permitiu à delegação conhecer experiências práticas de desenvolvimento territorial, reaproveitamento de estruturas industriais, tecnologias de baixo carbono, armazenamento de energia, novos materiais, construção sustentável, cibersegurança e sistemas inteligentes aplicados à indústria.

Para o prefeito de Criciúma e presidente da AMREC, Vagner Espindola, a missão representa um passo importante para transformar o debate da Transição Justa em projetos concretos para os municípios da região.

“O Sul de Santa Catarina tem uma história construída com trabalho, indústria, energia e inovação. Agora, precisamos olhar para o futuro com responsabilidade, sem deixar nossa identidade para trás e sem abrir mão das pessoas que vivem e trabalham neste território. A missão à Itália nos mostrou experiências que podem inspirar novos caminhos para a Região Carbonífera, com diversificação econômica, tecnologia, sustentabilidade e geração de oportunidades”, destaca o presidente da AMREC.

A agenda internacional gerou avanços estratégicos para subsidiar o Plano de Transição Justa de Santa Catarina. Entre os principais resultados estão a identificação de tecnologias verdes com potencial de aplicação no Estado, a abertura de cooperação técnica com centros italianos de excelência, a prospecção de investimentos e parcerias empresariais, o fortalecimento institucional e o intercâmbio de modelos de governança territorial voltados à reconversão de áreas industriais.

O presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável, Fernando Luiz Zancan, avalia que a missão reforça a necessidade de uma transição baseada em ciência, inovação e desenvolvimento regional.

“A Transição Justa precisa ser construída com conhecimento, tecnologia e compromisso com os territórios. A experiência italiana nos mostrou que é possível transformar regiões industriais por meio da inovação, da cooperação entre instituições e da criação de novas cadeias econômicas. Para o Polo Carbonífero catarinense, esse movimento é fundamental: precisamos continuar avançando em soluções de baixo carbono, captura de CO₂, armazenamento de energia, novos materiais e usos sustentáveis dos recursos minerais”, afirma Zancan.

Além das visitas técnicas, a missão resultou em encaminhamentos que já estão em andamento. Entre eles estão a visita do CEO da Tassullo, Roberto Covi, ao Brasil, para avaliar oportunidades de reaproveitamento de estruturas minerárias do carvão; a ativação de contatos com empresas do sistema Trentino de madeira engenheirada, com foco em cooperação com o setor madeireiro e de construção civil de Criciúma; a construção de parceria entre a Fundação Bruno Kessler e a SATC, voltada a sistemas energéticos e cibersegurança; e a preparação de uma nova missão oficial com o Governo de Santa Catarina para avançar em uma parceria estratégica com a Província de Trento.

Para o reitor da UniSATC, Carlos Ferreira, a missão reforça o papel da educação, da pesquisa aplicada e da inovação tecnológica na construção de alternativas para o futuro da região.

“A Transição Justa exige conhecimento técnico, formação de pessoas e capacidade de transformar pesquisa em soluções concretas para o território. A aproximação com instituições como a Fundação Bruno Kessler abre oportunidades importantes para projetos em áreas estratégicas, como sistemas energéticos, cibersegurança e novas tecnologias industriais. A SATC está comprometida em contribuir com esse processo, conectando ensino, ciência e inovação ao desenvolvimento sustentável do Sul de Santa Catarina”, destaca Ferreira.

Ao final da programação, a delegação realizou uma sessão de consolidação dos resultados, com a definição de encaminhamentos para transformar o conhecimento adquirido em ações práticas. A partir das experiências conhecidas na Itália, o grupo pretende avançar na estruturação de projetos voltados à inovação, à economia circular, à energia limpa, à digitalização industrial, à reconversão produtiva e ao desenvolvimento sustentável do território carbonífero.

 


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