Tenho PMMA no corpo. Preciso me preocupar? Dermatologista esclarece dúvidas sobre o produto

Criciúma (SC)

Relatos recentes de figuras públicas sobre complicações relacionadas ao PMMA e a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de ampliar as restrições ao uso da substância voltaram a colocar o produto no centro das discussões sobre procedimentos estéticos. Diante desse cenário, uma dúvida passou a ser frequente entre pacientes que realizaram preenchimentos no passado: quem tem PMMA no corpo precisa se preocupar?

Segundo a dermatologista Ana Carolina Búrigo, da Clínica Belvivere, a resposta é não necessariamente. Muitas pessoas convivem com o material por anos sem apresentar qualquer alteração. No entanto, por se tratar de um produto permanente, o acompanhamento deve ser diferente daquele feito com preenchedores absorvíveis.

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“O mais importante é que o paciente saiba qual produto foi utilizado, onde foi aplicado e procure avaliação médica caso surjam alterações na região, como inchaço, vermelhidão ou nódulos”, orienta.

Complicações podem aparecer anos depois

Uma das principais características do PMMA é o fato de não ser absorvido pelo organismo. Por isso, explica a especialista, complicações podem surgir meses ou até muitos anos após a aplicação.

Segundo Ana Carolina, infecções, traumas, outros procedimentos estéticos e até alterações do sistema imunológico podem funcionar como gatilhos para reações inflamatórias tardias.

Entre os sinais que merecem atenção estão dor persistente, vermelhidão, aumento da temperatura local, inchaço que surge ou piora com o tempo, endurecimento da região, formação de nódulos, deformidades, assimetrias, saída de secreção e feridas na pele. Em situações mais graves, podem ocorrer infecções, migração do produto e reações inflamatórias mais intensas.

Nesses casos, a orientação é procurar avaliação com um dermatologista ou cirurgião plástico.

Como saber se tenho PMMA aplicado?

Outra dúvida frequente é sobre como descobrir qual produto foi utilizado, principalmente em procedimentos realizados há muitos anos. De acordo com a médica, o ideal é que o paciente tenha acesso ao prontuário ou ao registro do procedimento, onde devem constar o nome comercial e o lote do produto.

Quando essa informação não está disponível, a avaliação médica é o primeiro passo. Em alguns casos, exames de imagem, como a ultrassonografia de alta frequência, podem auxiliar na identificação da presença de materiais de preenchimento, embora nem sempre seja possível determinar com absoluta certeza qual substância foi aplicada.

“Para pacientes que não apresentam sintomas, não existe recomendação de realizar exames periódicos apenas por terem PMMA. O acompanhamento passa a ser indicado caso surjam alterações ou antes da realização de novos procedimentos estéticos na mesma região”, destaca a médica;

Segundo Ana Carolina, a principal mensagem para quem pretende realizar qualquer procedimento estético é priorizar segurança e respaldo científico. Ela explica que, atualmente, existem alternativas para a maioria das indicações estéticas, como o ácido hialurônico e a lipoenxertia, e reforça que a escolha do tratamento deve sempre ser precedida de avaliação médica individualizada e de uma conversa clara sobre riscos, benefícios e limitações de cada técnica.

 


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