Unesc apresenta projeto de reestruturação para o Colegião, confira

Da Redação / Criciúma (SC)

Uma escola pode ser feita de concreto, salas, corredores e quadras, mas também é constituída por memórias, como é o caso da EEB Sebastião Toledo dos Santos, o Colegião, em Criciúma. Por seus espaços passaram gerações de estudantes, professores e profissionais que ajudaram a construir a história da cidade e do Sul catarinense. Agora, essa estrutura histórica conta com um projeto de reestruturação elaborado pela equipe do Lab Cidades, da Unesc.

O trabalho reúne soluções para diferentes áreas da unidade escolar, desde a estrutura física e as instalações até acessibilidade, climatização, áreas esportivas e espaços de convivência. O projeto nasceu a partir de um diagnóstico realizado pela equipe do Lab Cidades dentro da própria escola.

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“Quando investimos em uma escola, não estamos apenas transformando um prédio, mas criando condições para mudar trajetórias e abrir novas possibilidades para milhares de estudantes. O Colegião carrega uma história que merece ser preservada, mas também precisa estar preparado para o futuro. Por isso, este projeto é tão significativo: ele une memória, conhecimento técnico e planejamento para entregar à comunidade uma escola mais acessível, acolhedora, segura e preparada para as próximas gerações”, afirma a secretária de Estado da Educação e reitora licenciada da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta.

“É também muito simbólico que este projeto tenha sido construído com a participação da Unesc. Como universidade comunitária, há o compromisso de colocar o conhecimento que produzimos a serviço das necessidades do nosso território. Quando ensino, pesquisa, extensão e inovação se unem para responder a uma demanda concreta da comunidade, a universidade cumpre uma de suas funções mais importantes: transformar conhecimento em soluções que melhoram a vida das pessoas. E ver esse conhecimento contribuir para a transformação de uma escola tão importante para Criciúma e para tantas gerações torna esse projeto ainda mais especial”, acrescenta.

A participação da universidade comunitária na elaboração do projeto coloca em evidência uma das funções que o conhecimento produzido dentro da Unesc pode assumir: transformar conhecimento técnico em soluções para demandas concretas da sociedade. No Lab Cidades, profissionais e acadêmicos de diferentes áreas atuam de forma integrada no desenvolvimento dos projetos.

“Este projeto representa exatamente aquilo que uma universidade comunitária deve fazer: colocar conhecimento, pesquisa e competência técnica a serviço da sociedade. O Lab Cidades reúne profissionais de diferentes áreas e transforma esse conhecimento em soluções concretas para espaços que têm importância para a comunidade”, ressalta a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes.

A proposta considera não apenas a aparência da edificação, mas a forma como os ambientes são utilizados. Antes de desenhar as soluções, os profissionais analisaram os espaços e ouviram as demandas apresentadas pela direção e pela comunidade escolar, considerando tanto a estrutura da edificação quanto a forma como estudantes, professores e funcionários utilizam os ambientes.

Diagnóstico transforma necessidades em soluções

O resultado desse processo é um projeto que contempla aproximadamente oito mil metros quadrados de área construída e cerca de 4,3 mil metros quadrados de área externa. A escola possui três pavimentos, com salas de aula, laboratórios, setores administrativos, biblioteca, auditório, refeitório, cozinha, espaços de atendimento, banheiros, quadras e ginásios.

“Para desenvolver o projeto, nós visitamos cada ambiente e cada espaço externo e procuramos entender as demandas, as dores e as necessidades apresentadas pela comunidade escolar”, explica a arquiteta Maria Fernanda Carvalho, responsável pelo projeto de arquitetura educacional do Lab Cidades.

Entre as intervenções previstas estão a renovação do telhado, substituição de portas e janelas, recuperação de revestimentos, tratamento de patologias e adequações nas instalações elétricas e hidráulicas. O projeto também amplia as condições de acessibilidade, com elevador, mapa tátil e novas rotas acessíveis, além de contemplar a climatização do refeitório, melhorias no auditório, reforma dos ginásios, arquibancadas nas áreas esportivas, revitalização das fachadas e soluções para drenagem e reaproveitamento da água da chuva.

A complexidade do projeto exigiu a atuação de uma equipe multidisciplinar. Arquitetos, engenheiros, profissionais de orçamento e acadêmicos participaram da elaboração. O coordenador do Lab Cidades, Jóri Ramos, enfatiza que o resultado é fruto de um trabalho que exigiu dedicação e integração entre diferentes áreas. “Foi um trabalho muito intenso, que envolveu dedicação em diferentes momentos, inclusive aos sábados, domingos e à noite”, destaca.

Projeto técnico com memória afetiva

Enquanto os profissionais apresentavam plantas, imagens em 3D e soluções técnicas, a gerente regional de Educação, Ronisi Guimarães, acompanhava a apresentação com uma história pessoal ligada ao espaço.

“Quem está feliz hoje é a menina que cresceu no Colegião. Minha mãe foi diretora dessa escola durante 18 anos e minha sogra foi a primeira diretora do Colegião. Então eu tenho uma memória afetiva muito grande, porque cresci dentro dessa escola. Eu brincava de amarelinha nesse piso”, relata.

A lembrança ajuda a dimensionar o significado do projeto para além da estrutura física. Para Ronisi, a reestruturação representa a possibilidade de preservar a importância histórica da instituição e, ao mesmo tempo, preparar os espaços para as próximas gerações. “O Colegião merece. É uma escola simbólica no coração de Criciúma”, afirma.

O diretor da unidade escolar, Aloncio Almes Cechinel, também destaca a relação estabelecida entre a instituição e a equipe responsável pelo projeto. Para ele, a possibilidade de apresentar as necessidades e construir soluções em conjunto fez diferença no resultado. “O atendimento foi maravilhoso com a gente. Desde o primeiro contato, com muito carinho e simpatia, até a forma como todas as nossas ideias foram recebidas. Tudo aquilo que a gente pontuava era considerado”, afirma.

 


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