Cigarro está associado a mais de 200 doenças, alerta pneumologista

Da Redação | Criciúma (SC)

A tosse pela manhã, o pigarro constante e o cansaço durante atividades que antes eram realizadas com facilidade podem parecer sinais comuns, mas também podem indicar que o cigarro já está afetando o organismo. Segundo a médica pneumologista da Clínica Saúde São José, Carla Patrícia Uliano, uma das principais consequências do tabagismo são as doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC), como enfisema e bronquite.

“As DPOC são os danos mais comuns, principalmente enfisema e bronquite. Normalmente, os dois ocorrem ao mesmo tempo no pulmão fumante, só que muitas vezes um mais que o outro”, explica a especialista.

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No enfisema, uma doença que provoca a destruição dos alvéolos pulmonares (pequenas estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico), os sintomas podem incluir falta de ar, tosse seca e emagrecimento. Já a bronquite costuma provocar tosse com secreção, principalmente pela manhã. E não existe uma quantidade segura de cigarro. 

“O cigarro sempre é prejudicial. Se não diretamente no pulmão, ele está associado a mais de 200 doenças”, alerta Carla. Entre os problemas relacionados ao tabagismo estão cânceres, hipertensão, infarto, AVC e doenças respiratórias.

O cenário reforça a importância do alerta. Segundo o Ministério da Saúde, 11,7% dos adultos brasileiros fumavam em 2024. O índice representa uma interrupção na tendência de queda observada durante quase duas décadas: em 2006, eram 15,7% de fumantes, enquanto em 2023 o percentual havia chegado a 9,2%.

Vape também preocupa

Entre os jovens, o cigarro eletrônico acrescenta outro desafio. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre pessoas de 18 a 24 anos, a frequência de quem fuma ou utiliza dispositivos eletrônicos para fumar passou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024, o maior índice da série histórica para essa faixa etária.

Para Carla, sabores, aromas, cores e a influência do grupo podem contribuir para que o consumo comece ainda na juventude.

“A adolescência é uma fase bem complicada, porque o adolescente se reforça ou se afirma no grupo. Então, muitas vezes, é o fumar do modismo. O amigo fuma, o cigarro é colorido, ele tem vários fatores atrativos, que é o sabor, o cheiro, a luz”, observa.

O hábito pode evoluir para dependência e trazer sinais como tosse persistente, falta de ar, cansaço, chiado e pigarro. “Muitas vezes eles vêm nos procurar por tosse crônica e falta de ar e, quando vêm, já são as manifestações da dependência do cigarro”, relata a pneumologista.

Nunca é tarde para parar

Mesmo para quem fuma há muitos anos, abandonar o cigarro pode trazer benefícios. Segundo Carla, estudos apontam uma recuperação importante da capacidade pulmonar ao longo dos anos após a interrupção do tabagismo. Para ela, o mais importante é não esperar que os sintomas avancem a ponto de interferir nas atividades mais simples do dia-a-dia.

“Muitas vezes, o paciente chega para nós, ele já está numa fase em que ele tem sintomas diários de falta de ar, de tosse, limitação grande aos esforços para tomar banho, para pentear o cabelo”, alerta a médica.

Em 2025, 2,1 milhões de pessoas procuraram as Unidades Básicas de Saúde do SUS para parar de fumar, mais que o dobro do registrado em 2022, quando foram 1 milhão de atendimentos. Pela rede pública, o tratamento pode incluir acompanhamento individual ou em grupo e, quando indicado, medicamentos para ajudar a controlar os sintomas da abstinência. 

 


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