“Além do policiamento”: Tribuna Livre debate segurança integrada em Criciúma

Criciúma (SC)

A Tribuna Livre da Câmara de Vereadores de Criciúma desta terça-feira (5), contou com a participação da 1ª Delegacia de Polícia Civil do município, representada pelo delegado Márcio Campos Neves. Ele utilizou o espaço para abordar o tema “Além do policiamento: Grande Pinheirinho – Propostas para uma abordagem integrada entre Segurança, Saúde Pública e Inclusão Social”. O convite foi realizado pelo vereador Antônio Córdova, o Toninho da Figueira (PL).

Durante a apresentação, o delegado destacou a importância de ouvir quem está diretamente envolvido com a realidade enfrentada na ponta. “A gente precisa ouvir quem está lidando diretamente com o problema, entender qual é o tamanho dele para tentar apresentar soluções mais viáveis e corretas possíveis”, afirmou.

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Segundo Márcio Campos Neves, muitos dos casos que chegam à delegacia têm aparência criminal, mas possuem origem em questões sociais e de saúde. “Às vezes o problema só se encaixa formalmente na lei, mas de fato não é criminal. É um problema social e, muitas vezes, de saúde pública”, explicou. Ele reforçou que atuar apenas nas consequências não resolve a situação. “Se a gente ficar só remediando, é a mesma coisa que enxugar gelo”, completou.

Ao tratar especificamente do bairro Pinheirinho, o delegado apontou a dependência química, especialmente relacionada ao crack, como um dos principais fatores geradores de ocorrências. “O usuário de crack mata e morre com uma facilidade muito grande. É um problema central que está por trás de várias situações que chegam até nós”, destacou.

Nova abordagem aponta alto índice de recuperação

Entre as alternativas apresentadas, Márcio Campos Neves destacou a importância do tratamento para dependentes químicos como caminho essencial. Ele citou, inclusive, abordagens alternativas, como o uso da ibogaína, que, segundo relatos apresentados, pode contribuir no processo de recuperação de usuários. “Uma das saídas é o tratamento. Se a causa do problema é a dependência, é isso que precisa ser enfrentado”, afirmou.

Conforme relatado, o protocolo terapêutico com ibogaína ocorre ao longo de cinco dias. No primeiro dia, o paciente passa por acolhimento, assinatura de documentos, exames clínicos e uma dosagem inicial supervisionada. No segundo dia, inicia o tratamento com acompanhamento intensivo de equipe médica e terapêutica, permanecendo em monitoramento contínuo. Já no terceiro dia, são realizados atendimentos psicológicos individuais e continuidade do protocolo, com foco na estabilização emocional.

No quarto dia, o tratamento segue com novas dosagens e acompanhamento terapêutico, incluindo orientações personalizadas para o período pós-tratamento. Por fim, no quinto dia, ocorre a etapa final do protocolo, com orientações estruturadas para fortalecer o paciente emocionalmente e auxiliá-lo na continuidade da recuperação após a saída do tratamento.

O delegado também chamou a atenção para as limitações dos modelos tradicionais. “A gente vê muitas internações que não resolvem o problema. Precisamos buscar soluções mais eficazes, com resultados reais”, disse. Segundo ele, iniciativas com maior taxa de recuperação e menor tempo de tratamento devem ser analisadas como alternativas dentro das políticas públicas.

Nesse contexto, o delegado defendeu que a segurança pública deve ser compreendida de forma ampla. “Não adianta pensar só em polícia. Precisamos integrar saúde, assistência social e segurança para realmente enfrentar o problema”, concluiu, destacando que soluções duradouras passam pela união de esforços e pela compreensão das causas estruturais da violência.

 


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