Criciúma (SC)
Emoção, memória e reflexão têm marcado as exibições do documentário cinebiográfico “Derlei: Desafiando o Silêncio”, obra que apresenta ao público a trajetória de vida da içarense Derlei De Luca. Entre os relatos emocionantes após o lançamento do longa está o do filho dela, José Paulo De Luca Ramos, que acompanhou a estreia da produção.
“O documentário tem uma diferença muito grande dos livros de história, em que apenas lemos sobre o que aconteceu. No filme, existem relatos, sentimentos e memórias vividas por pessoas reais. Isso faz com que o público se sinta muito próximo daquela realidade. Não digo isso apenas por ser filho dela, mas porque percebi que quem assistiu também se emocionou e se conectou com a história”, afirmou.
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Emocionado, José Paulo revelou que cada exibição traz novamente à tona sentimentos intensos sobre a trajetória da mãe e sobre o período retratado no filme. “Vou ver mil vezes e chorar mil vezes. É um documentário muito forte, muito emocionante, porque retrata de forma sensível o que foi aquele período da nossa história. Ele deixa uma mensagem importante para que aquilo nunca mais aconteça. Ao mesmo tempo, mostra a força da minha mãe. Apesar da tortura, do sofrimento e de todas as dificuldades que enfrentou, ela conseguiu sobreviver, seguir em frente e encontrar felicidade em muitos momentos da vida”, complementou.
Retrato sensível
Com direção, edição e fotografia assinadas pelos professores pesquisadores Alcides Goularti Filho e roteiro e produção de Giani Rabelo, o documentário constrói um retrato sensível, equilibrando densidade histórica e delicadeza humana. A narrativa reúne entrevistas com familiares e companheiros de militância, além de trechos do livro “No Corpo e na Alma”, escrito pela própria Derlei.
Produzido pela Mozaiko Filmes, o longa vai além da reconstrução histórica e conduz o espectador por uma jornada profunda sobre memória, luta e humanidade. Ao longo de 1h49min, a produção percorre 17 cidades no Brasil, Chile, Panamá e Cuba, revisitando os caminhos que marcaram a vida de Derlei. No Brasil, as gravações passaram por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. No exterior, a equipe esteve em Santiago, no Chile; Cidade do Panamá e Las Tablas, no Panamá; encerrando as filmagens em Havana, Cuba. Foram dois anos de trabalho e mais de 70 pessoas estiveram envolvidas na produção.
“Derlei era uma pessoa solidária, humana, com compaixão pelo outro. Ao revisitar os lugares por onde ela passou, como museus, cidades e espaços de memória, a equipe buscou reconstruir acontecimentos e também restituir atmosferas. Cada detalhe foi pensado de forma minuciosa”, comentou o diretor.
Conforme Alcides, o processo de produção também representou uma experiência para toda a equipe envolvida. “Nada no filme está por acaso. Para nós, foi um grande aprendizado, tanto do ponto de vista técnico quanto da convivência e da experiência de filmar em diferentes cidades e países, especialmente em Cuba”, acrescentou.
Dez anos, dez meses e 29 dias
Durante 10 anos, 10 meses e 29 dias, Derlei enfrentou clandestinidade, prisão, tortura e exílio. Ainda assim, o documentário não se limita às marcas deixadas pela ditadura militar. A obra também revela a dimensão humana de uma mulher que escrevia poemas, cultivava afetos, sentia saudade e encontrava beleza em pequenos gestos e lugares.
“Contar a história de uma mulher que passou pelo que ela passou sempre esteve no nosso horizonte. Ela representa muitas outras mulheres que viveram a tortura. E o fato de ela ter seguido, de ter continuado militando, nos mobiliza”, comentou Giani.
Construção estética da memória
O processo de produção, desenvolvido ao longo de dois anos, mobilizou mais de 70 profissionais e equipes locais em diferentes países. Em cada cidade visitada, novos desafios surgiam, exigindo adaptações e construções coletivas.
“No Panamá, por exemplo, enfrentamos o desafio de viabilizar filmagens em uma pequena cidade do interior, em meio às incertezas logísticas. Ainda assim, seguimos o percurso e realizamos registros no cemitério de Las Tablas”, relembrou Alcides.
O documentário já foi lançado na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em Içara, na Unesc, e na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Os próximos lançamentos do documentário já têm datas confirmadas:
11 de junho, a exibição ocorre no Auditório 223D do Bloco Pedagógico da Unisul, em Tubarão, às 19h.
13 de junho será no Memorial da Resistência, em São Paulo, às 15h.
2 de julho, às 9h30, no Auditório do IFSC, em Araranguá, às 9h30.
9 de julho, no Auditório do SISERP, em Criciúma, às 19h.
14 de agosto, o filme será apresentado no Auditório CSE da UFSC, em Florianópolis, às 14h.
17 de agosto, às 19h, na Unisul, em Palhoça.
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